1dandelion3 - Os complexistas

Os complexistas

Os complexistas têm um procedimento oposto ao dos pluralistas e dos unicistas. Prescrevem um grande numero de medicamentos sob a forma de preparação magistral.

Afastam-se das bases da homeopatia ao prescreverem estas preparações que não sofreram qualquer um dos processos de desenvolvimento do medicamento homeopático, ou seja, a experimentação no homem são e a cura no homem doente.

Para além disso, esta técnica, embora simplifique a prática da homeopatia, reduzindo provavelmente o campo de aplicação: não atua em profundidade sobre o indivíduo, no máximo alivia-o temporária e superficialmente.

Esta prática é mais útil enquanto “automedicação de espera”, vendida por vezes pelo farmacêutico sob a forma de especialidades ditas “homeopáticas”.

É utilizada pontualmente pelos médicos pluralistas com um número reduzido de medicamentos (quatro ou cinco no máximo) em fracas diluições, e visa então mais o sintoma do que a doença. Ainda é utilizada por alguns para “drenar”, ou seja, para “limpar o organismo”, o que é, atualmente, uma noção no mínimo abstrata e no máximo ultrapassada.

Originally posted 2014-03-26 10:38:44.

National Doctors Day 2011 freecomputerdesktopwallpaper 1280 - Terreno ou "Resultado de Consulta"

Terreno ou “Resultado de Consulta”

A formação inicial é a mesma para todos os médicos: o estudo da ciências fundamentais, da semiologia, do diagnóstico e da terapêutica.

A investigação e a descoberta dos sinais clínicos são
um dos objetivos primeiros da consulta médica.
Estes últimos, para o médico generalista, servem para evocar a doença, para orientar o diagnostico, para prescrever eventuais exames complementares e receitar uma terapêutica; para o médico homeopata, estes sinais, bem estudados e completados, são também necessários para encontrar o medicamento.

O objetivo do generalista tal como do homeopata é portanto o mesmo, mais o interesse terapêutico.
Os exames complementares, embora muitas vezes evidenciados pelos doentes e por alguns clínicos, dependem do procedimento do medico, da conduta do exame clínico, ou seja, do interrogatório e do exame físico do doente.

Quanto mais rigoroso for este último, mais os exames complementares serão precisos e orientados e, expecto nos casos difíceis de medicina interna, o diagnóstico efetuar-se-á relativamente depressa.

O fosso que separa a medicina de cidade da mediana hospitalar é antes de mais caracterizado pelas poucas doenças que entram em quadros nosológicos precisos, ou seja, definidas pela presença de caracteres distintivos que permitem individualizá-las. É por isso que atualmente os médicos generalistas preferem falar de “resultado de consulta” em vez de diagnóstico.

Porque o generalista, homeopata ou não, raramente chega a uma doença que pode corresponder a um quadro nosológico preciso, a uma situação médica característica, a um “conjunto conhecido”. Na maioria das vezes, faz um diagnóstico sintomático, que traduz uma queixa funcional que não pode sobrepor-se num “conjunto conhecido”.

Salientamos já que não se trata de incompetência – pelo contrario, visto que o generalista é tomado numa ótica de medicina hospitalo-universitária, reputada pela precisão dos seus diagnósticos nosológicos -, mas da realidade do doente, porque os pacientes que vão à consulta na cidade têm patologias (doenças) imprecisas.

No hospital, “uma dor de barriga’ é muitas vezes reveladora de um conjunto conhecido, como um cancro ou uma apendicite, ao passo que o mesmo sintoma, na cidade, reflete na maioria das vezes uma indigestão ou um inchaço passageiro que será um “resultado de consulta”.

Isso é lógico porque o médico generalista só enviará o doente para o hospital se apresentar sintomas que possam entrar num “conjunto conhecido”. Para além disso, essa doença orgânica ou que entra num quadro nosológico preciso tem um trunfo formidável é cientifica, e a mediana, de arte toma-se ciência.

Nas anginas, a presença de um germe revelado pelo antibiograma permite receitar o antibiótico adaptado: é a ciência do médico; enquanto que a colite espasmódica pode ser tratada de diversas maneiras é a arte do médico. Mas arte e ciência são indissociáveis.

Este “resultado de consulta” – que não corresponde a nenhuma doença conhecida, mas que já
rio é um simples smtoma – é o exercício habitual do médico generalista que. ao criar esta noção sente intuitivamente a necessidade de alargar o sintoma ao homem.

Todavia, a raridade – na prática quotidiana – de doenças orgânicas ou que entram num quadro nosológico preciso também não deve lazer pretender que o generalista só trata doenças funcionais, e desconhece as outras.

Seria esquecer a sua formação e não se lembrar de que a história mostrou que as doenças funcionais atuais são as afeções orgânicas de amanhã.

Tal é, assim, o principal campo de ação do generalista, homeopata ou não. É uma situação de facto sem relação com os limites da homeopatia, mas ligada à ausência de médicos homeopatas nos hospitais – devido a uma resistência passiva dos nossos colegas alopatas e de um curso universitario que não o permite -, dai um conhecimento limitado da eficácia dos tratamentos homeopáticos nas patologias hospitalares uma avaliação clínica da homeopatia quase impossível.

Para os clássicos, “a queixa que não pode sobrepor-se num conjunto conhecido” é o primeiro passo na direção da noção de terreno homeopático. Porque, justamente, esta queixa decalca-s perfeitamente sobre os conhecimentos especiais dos terrenos, que os médicos homeopatas adquiriram graças à observação especial dos doentes e à experiência clínica.

Assim, a homeopatia dá, no tempo e no espaço, uma visão longitudinal do doente e da sua doença e não uma visão transversal, pontual, restritiva. A sua sorte é integrar este procedimento no seu concerto e na sua terapêutica.

Originally posted 2014-03-25 15:09:59.

alimentar 2008 - Sinais Gerais e Evoluçao

Sinais Gerais e Evoluçao

No modo reacional terminal predominam essencialmente:

  • perturbações cardiovasculares: hipertensão arterial, aortite, coronarite, arterite;
  • ataques reumatológicos tais como artrose patologia discal e radicular;
  •  tendências para as úlceras de pele, para más cicatrizações, para fístulas.
  • manifestações glandulares da parótida, tiroide. próstata;
  • perturbações da senescência tipo psicoses, nevroses, demências.

Os principais medicamentos de terreno desta fase são: Luesinum, Mercurius solubilis, Argentum nitricum, Aurum metallicum, Platina, Plumbum metallicum, Calcarea fluorica, Fluoncum acidum e Staphysagria

A descoberta de uma diátese num sujeito – assimilada por extensão ao modo reacional geral – será afirmada pela presença de pelo menos três sinais: um sinal etiológico e dois sinais gerais.

O luetismo

É antes de mais:

  •  um sujeito psiquicamente instável que dorme muito mal e que tem dificuldades para se adaptar à vida em sociedade:
  •  perturbações físicas sentidas principalmente nos ligamentos e nos ossos;
  • um estado geral que se agrava à noite

É por exemplo:

  • uma criança agitada, que torce facilmente os pés, com insónias e dificuldades escolares

O modo reacional luético pode ser desencadeado por infecções que aparecem durante a gravidez.

Corresponde a três grandes medicamentos:
Luesinum, Mercurius solubilis, Aurum metallicum.

Originally posted 2014-03-25 13:18:27.

homeopathbottles - Primeira Impressão Parte I

Primeira Impressão Parte I

A “imagem” que o paciente lhe envia constitui a primeira aproximação global do medico. Esta ultima, essencialmente visual, fornece elementos de orientação baseados na sua observação.
Assim, algumas obras concedem muita importância ao aspeto físico e descrevem muitas vezes, nesta etapa, caricaturas que, na nossa opinião, desvalorizam a pratica da homeopatia e transformam-na em terapêutica de salão.

“A aparência física de um Individuo terá um sentido?”

Algumas obras só consideram o aspeto físico e atribuem a todas as mulheres louras com
olhos azuis as características de Pulsatilla, e as de Sepia ou lodum a todas as morenas com olhos negros e com a pele mate.

Do mesmo modo, o trajo é valorizado: todas as mulheres Sepia vestem-se de preto ou de castanho, e as mulheres Platina só vestem roupa extravagante, multicolor, e joias que brilham por todo o lado.
Estas descrições feitas ao principio do século ainda persistem.

A propósito disso, haverá mais línguas que poderiam facilmente afirmar que Sepia conviria maioritariamente às mulheres de África do Norte, e Pulsatilla às mulheres de origem germânica ou escandinava. E o que dizer dos africanos e dos asiáticos! A derivação racial pode facilmente aparecer.

Estas descrições que agradam ao publico fazem em parte o êxito da homeopatia. No entanto estes retratos realmente encontrados na pratica devem ser postos no seu lugar, no ultimo, porque
a prescrição do medicamento homeopático só depende dos sinais homeopáticos.

Basear-se nestes quadros para a prescrição só conduz ao fracasso, faz pensar que a homeopatia e uma terapêutica fácil, e contribuiu para dar uma ideia errada. Estas descrições caricaturais fazem parte do folclore, do carnaval homeopático.

“A morfologia a o temperamento de um individuo terão um interesse para o médico homeopata?”

Embora não autorizem a prescrição homeopática, mais interessantes são aquelas a que verdadeiramente da observação do homem doente, e não da sua fachada.

Hahnemann nunca as descreveu; datam do final do século XIX, época reinante da fisiognomonia (ou estudo do carácter e do temperamento de um individuo segundo os traços e a conformação geral do seu rosto), da classificação, da quantificação e da medida.

As constituições foram desertas primeiro por Grauvogl, depois retomadas por Antoine Nebel, Lèon Vannier e Henri Bernard (escola de Bordéus), que descreveram constituições especiais, as quais corresponderiam portanto a morfologias e a temperamentos característicos, predisporiam para patologias, e orientaram para certos medicamentos.

Assim, foram representados carbónicos, fosfóricos, sulfúricos (por Henri Bernard), fluóricos:

  • os carbónicos seriam de temperamento linfático, brevilíneos, ou seja, pequenos e atarracados, e com predisposição para as doenças da nutrição, para a artrose e para arteriosclerose;
  • os fosfóricos seriam nervosos a fatigáveis, longilíneos, portanto altos mas curvados, e com tendência para o emagrecimento e para as doenças anergizantes;
  • entre os dois, os sulfúricos ou normolíneos seriam “normais” física e psiquicamente; e no extremo da “normalidade” estariam os fluóricos que apresentariam perturbações nervosas o físicas nos arretes do patológico.

Estas constituições são modelos de teorização de doentes e de doenças, que dependem simultaneamente da cultura de uma sociedade e do dogmatismo médico de uma época. Portanto, não podem ser universais, visto que a pretensa normalidade do homem dependeria destes dois fatores.

Para alem disso, a constituiçao do adulto é quase invariavel no tempo. O tamanho, o temperamento, as predisposições mórbidas de um sujeito não podem – felizmente- ser modificadas, nem mesmo moduladas por um tratamento qualquer e, para alem disso, preexistiam às patogenesias, ou seja, ou seja, às experimentações medicamentosas homeopáticas. Mesmo as prováveis manipulações genéticas futuras – esperamo-lo – terão pouco impacto sobre uma situação realizada.

Por outro lado, estas constituições descrevem sujeitos de boa saúde – não doentes – apresentando predisposições mórbidas que conselhos de higiene de vida podem prevenir ou retardar. A utilização de uma terapêutica, neste caso. é de um interesse limitado em relação às regras de higiene.

Para além disso. estes retratos, ausentes da medicina moderna, também deveriam desaparecer da homeopatia.
Apenas o modo reacional do individuo tem um carácter universal: é a razão pela qual apenas os sinais homeopáticos são sinais de prescrição, e é também por isso que as classificações emergiram a fim de tentar facilitá-la.

Originally posted 2014-03-26 09:22:13.

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Os Unicistas

Os unicistas recomendam a utilização de um só medicamento que cobre o conjunto dos sinto- mas da doença, quer seja aguda ou crónica.

Hahnemann utilizou este método, entre outros, não só porque tinha a possibilidade de rever com frequência os doentes e portanto mudar muitas vezes os tratamentos em função da evolução do seu estado (o que já não é possível hoje), mas também porque as numerosas experimentações que efetuou necessitavam deste modo de prescrição.

Este procedimento, ideal no absoluto, supõe que o médico tem a certeza de que prescreveu o
verdadeiro medicamento do doente, que segue com regularidade as variações da doença a fim de mudar o medicamento logo que os sintomas se modificam (o que supõe conhecer a duração de ação dos medicamentos utilizados).

Existe um unicismo a que chamaremos “pragmático”, largamente difundido nos países anglosaxôes, porque os médicos têm a possibilidade de seguirem de perto os seus doentes e modificarem os seus tratamentos em consequência. O unicismo pragmático é utilizado pelos pluralistas quando um único medicamento sobressai verdadeiramente, por vezes nas doenças agudas, mais raramente nas doenças crónicas.

Opõe-se ao unicismo ideológico que consiste em dar um medicamento de três ou de seis em seis meses, e esperar os efeitos do tratamento; e. no extremo, tratar todas as doenças, mesmo as mais graves, unicamente através da homeopatia.

Este unicismo mostrou os seus limites nos Estados Unidos, porque, no inicio do século XX, sob a influência de um homeopata de renome, James Tyler Kent, esta técnica, largamente utilizada, quase provocou o desaparecimento da homeopatia neste país.

Este sistema elitista, que se considera o sistema da “verdadeira homeopatia”, está destinado ao fracasso mais ou menos a longo prazo, porque não responde às realidades da medicina moderna.

Originally posted 2014-03-26 10:34:42.