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Expecto nas doenças neurológicas ou psiquiátricas graves, a maioria de entre nós tem perturbações “nervosas”, sentidas mais enquanto incómodo ou desconforto do que como doença. Não dormimos bem, temos dores de cabeça, sentimo-nos ansiosos, angustiados, com stress, somos pentes do nosso tempo.

Por vezes, recorremos, em mais ou menos tempo, mais ou menos intensivamente, a soníferos, antálgicos, calmantes, que criam uma dependência e fazem-nos entrar na doença nervosa. Para o professor E. Zarifian, pagamos o preço do bem-estar e a medicação da mais pequena ponta de tristeza, porque, em França, consumimos entre duas e quatro vezes mais de medicamentos psicótropos (ansiolíticos ou tranquilizantes, anti depressores. hipnóticos ou soníferos, neurolépticos) do que nos países vizinhos.

A indústria farmacêutica não é alheia a este fenómeno, porque cria noções falsas que culpabilizam o médico, como: 50 a 70% dos suicídios seriam provocados por depressões não
tratadas, 50% no mínimo dos depressivos não são tratados com anti depressores, há uma recaída na “doença depressiva”, então são necessários tratamentos prolongados ou preventivos, etc.

Procura eliminar qualquer terapêutica que não dependa da sua prescrição medicamentosa fustigando subtilmente a psicanálise.
É o reino do pensamento único no qual o discurso académico universitários, científicos segue o discurso promocional dos laboratórios em vez de o perceber. É o reflexo da nossa sociedade, a predominância do poder (marketing, lucro) sobre o saber (atos intelectuais, investigação).

E Zarifian observa — sem fazer juízos — que em França, contrariamente aos outros países da Europa tudo o que não é medicina oficial não é ensinado aos futuros médicos, porque é considerado não cientifico, portanto sem qualquer valor.

Ao passo que na Alemanha, por exemplo, a familiarização com as medicinas não convencionais é obrigatória, e as perturbações psíquicas menores são principalmente tratadas com a fitoterapia, sem que isso altere de maneira alguma a saúde psíquica das respetivas populações.

Esta relação permite recentrar o debate e encarar com serenidade a terapêutica homeopática, numa época em que a indústria farmacêutica tentará provavelmente, num futuro próximo, transformar a timidez em doença.

Originally posted 2014-03-31 15:46:44.

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