Pergunta essencial para alguns, pelas respostas que poderia fornecer, pergunta supérflua para outros que a rejeitam á priori Seja como for, a homeopatia merece que nos detenhamos nela nem que seja só pelo respeito pelos pacientes, cuja admiração constante por esta terapêutica inata à reflexão.
Há mais de dois séculos que Christian Fhednch Samuel Hahnemann (1755-1843) instaurou os princípios da homeopatia, o debate raramente ultrapassou o estádio do irracional e do mito. Trousseau já reclamava que “a homeopatia tinha de ser julgada, nem que fosse sé para nunca mais falar nela, enquanto a Academia de medicina argumentava os riscos mortais daquela improvável medicina. Ainda hoje, alguns imaginam que o grande número de testes indispensáveis para provar um eventual efeito da homeopatia teria um custo fora de proporção com a sua utilidade. Do mesmo modo. os investigadores que se interessam por esta terapêutica são marginalizados pela comunidade cientifica Assim, devido às estruturas de pesquisa hospitalares dirigidas por médicos alopatas, a homeopatia nunca é suficientemente avaliada apesar dos esforços constantes dos médicos homeopatas.

curare bambini omeopatia - A infinitesimalidade

A infinitesimalidade

Para a maioria, esta noção designa as fracas doses dos medicamentos homeopáticos; para os detractores da homeopatia, constitui o argumento principal de não validade da homeopatia. De facto, a infinitesimalidade é um termo obsoleto e inadequado; para além disso, é uma noção ultrapassada que, classicamente, se aplica às matemáticas e não à farmacologia. As investigações actuais fazem pensar que é mais judicioso adoptar a expressão – que se tomou vulgar no mundo homeopático – de altas diluições.

Substituir o termo de ‘infinitesimalidade” por ‘aftas diluições’ conduz-nos directamente na direcção do medicamento homeopático cujo modo de preparação é essencial a sua actividade e a da homeopatia

A noção de infinitesimalidade

Em 1790,  Hahnemann experimentava, segundo o princípio de similitude, os medicamentos em doses sub-tóxicas. As curas aconteciam depois de uma agravação passageira.
Portanto, diminuiu as doses: foi a descoberta da infinitesimalidade e do modo de preparação especifico do medicamento homeopático.

O medicamento homeopático é obtido através de diluições sucessivas da substância do inicio. Estas diluições são tão importantes que até ultrapassam o limite teórico de presença molecular (número de Avogadro superior a 10^23), limite simbólico e físico para além do qual a probabilidade de presença de uma molécula é quase nula. A cada etapa das diluições tem lugar uma agitação vigorosa dos frascos chamada “dinamização”.

O número de Avogadro discutido?

“Se nos colocarmos do ponto de vista molecular… 22,4 litros contêm o número de
Avogadro (6,023×10^23). O número de moléculas em jogo no corpo humano andaria assim
à volta de 10^80. Se quiséssemos representar através de um diagrama a configuração do
movimento destas moléculas, precisaríamos de um espaço com dimensões duas vezes
10^80 pelo menos… É bastante grande!

E o materialista convencido, no geral, faz apelo grosso modo às propriedades da matéria, visto que pensamos conhecê-las. quando não as conhecemos! Esquecemo-nos demasiado facilmente: a razão de ser das propriedades da matéria mantém-se um enigma. Os sábios não têm por hábito confessarem a sua ignorância!”

Este modo de preparação de um medicamento é especial porque resulta simultaneamente de uma acção química (inerente a qualquer substância), de uma actividade física (a dinamização) e provavelmente da interacção entre o solvente (álcool, ou água, no qual a substância é colocada no principio da preparação) e da substância.

É por isso que não podemos dar a nossa opinião apoiando-nos unicamente – como na farmacologia clássica – na presença ou não de moléculas, sem tomar em consideração estes outros parâmetros. Seria esquecer os principais fundamentos da homeopatia e o modo de preparação dos seus medicamentos. Para mais pormenores, consulte o capítulo sobre os medicamentos ‘Como é que são feitos?”.

Estudos publicados em revistas científicas internacionais mostraram a actividade das altas diluições. A partir daí, o problema consiste em compreender e conhecer a natureza do suporte material da informação que transmite o medicamento homeopático. Por entre o, ou melhor, os modos de acção, uma das hipóteses actuais seria a transmissão de uma informação de natureza biofísica como parecem mostrar os últimos trabalhos efectuados em ressonância magnética nuclear.

Originally posted 2014-03-20 12:57:06.

cabeçalho - O progresso da Homeopatia Parte I

O progresso da Homeopatia Parte I

No entanto, apesar do seu começo difícil, a homeopatia conseguiu desenvolver-se graças à grande energia de Hahnemann e dos seu partidários. Assim , enquanto foi vivo, através da suas numerosas relações e da importante correspondência que mantinha com os seus colegas, Hahnemann participou bastante na difusão da sua terapêutica pelo mundo inteiro. O dinamismo dos seus alunos, E. Stapf, C. Boienninghausen, C. H. G. Jahr, também contribuiu muito.

Na Europa e nos Estados Unidos

O aparecimento da epidemia de cólera que invadiu a Europa naquela época, os fracassos da medicina oficial e os êxitos da homeopatia nesta patologia levaram muitos médicos, principalmente militares, a utilizar e a espalhar neste método. Naturalmente, a homeopatia foi primeiro difundida na Alemanha. A primeira revista homeopática foi editada em 1822.

A viagem para o outro lado do Atlântico de Contantin Hering permitiu o nascimento e o desenvolvimento da homeopatia nos Estados Unidos onde podíamos contar no século XIX mais de treze mil médicos e alguns setenta hospitais homeopáticos. A seguir, alguns homeopatas de grande reputação, Allen, Dunham, Lippe, Farringtom, Nash, Kent, também contribuíram para o seu êxito. Este ultimo esteve na origem do desenvolvimento de um movimento unicista especial, que apareceu nos Estados Unidos no inicio do século XX. Os unicistas oriundos desta corrente receitavam um medicamento único que era suposto curar o doente sozinho. Para os mais extremos, os “Kentistas”, do nome do seu inspirados, bastava tomá-lo um vez, e a repetição do medicamento só se fazia depois de ter sido esgotado o efeito do inicial.

A homeopatia de Inglaterra até tinha o seu medico homeopata pessoal. Ainda hoje existem numerosos hospitais homeopáticos: o mais importante é o Royak Londom Homeopathic Hospital fundado em 1850. Está incluído no National Health Service, o equivalente do nosso sistema de Segurança Social.

 

Originally posted 2014-03-21 10:23:04.

curare bambini omeopatia - O Progresso da Homeopatia Parte III

O Progresso da Homeopatia Parte III

No século XX

Netoel, Gallavardin, Duprat, Leon Vannier. Rouy, chefiam a homeopatia francesa no princípio deste século. Os primeiros anos são marcados por um recuo do número de médicos homeopatas e sobretudo pela guerra de 1914-1918. O Dr. Leon Vannier, uma grande personalidade, anima com autoridade o desenvolvimento da homeopatia tanto no plano médico como farmacêutico. Cria a Revista da homeopatia francesa em 1912 e dirige um curso destinado aos médicos e aos farmacêuticos.

Em 1911, estuda com um farmacêutico, René Baudry, os métodos de fabricação dos medicamentos homeopáticos e constitui em 1926 a Sociedade dos laboratórios homeopáticos de França. Em 1931, cria um local de ensino, o Centro homeopático de França. Em 1936, em Paris, o hospital Léopold-Bellan utiliza a terapêutica homeopática nos seus serviços.

São numerosos os médicos-chefes e adjuntos da época que são homeopatas. Lathoud, no intervalo de tempo entre as duas guerras, escreve uma matéria médica ainda editada hoje. Charette, Leon Vannier, Fortier- Bemoville, Lamasson, dominam a homeopatia dos anos cinquenta, apesar das lutas de influência importantes.

No princípio dos anos trinta, apenas temos em Paris vinte cinco a trinta oficinas, ditas “farmácias homeopáticas especiais”, que vendem medicamentos homeopáticos. Esses anos marcam o princípio da indústria do medicamento e, nos anos seguintes, a criação de laboratórios especializados: os Laboratórios homeopáticos de França criados por Leon Vannier em 1926, o Laboratório homeopático moderno em 1933 dirigido por René Baudry e Henri Boiron, a Farmacologia homeopática, os Laboratórios Dolisos criados em 1936 por Jean Tétau.

Em 1927, Maurice Delpech cria o Sindicato das farmácias e laboratórios homeopáticos especiais que se tomará o Sindicato da farmácia homeopática. De 1953 a 1981. Henri Boiron assumirá a presidência deste sindicato. Em 1965, sob o seu impulso – graças aos trabalhos de investigação sobre as técnicas de fabricação e de controlo dos medicamentos homeopáticos dos professores Netein, Cier e Aubry -, a França oficializa a homeopatia introduzindo-a na sua oitava edição da Farmacopeia francesa.

Paralelamente, o desenvolvimento importante da indústria farmacêutica favorece, graças a uma investigação de qualidade rapidamente iniciada, o reconhecimento oficial do medicamento homeopático Jean e Henri Boiron, Lise Wurmser para os farmacêuticos, Denis Demarque, Michel Aubin para os médicos, são os pioneiros desta investigação que dá lugar todos os anos a congressos científicos organizados pela Associação francesa para a investigação em homeopatia.

No que se refere ao ensino, a modernização dos conceitos médicos homeopáticos foi obra de médicos tais como os doutores Michel Conan Mériadec, Denis Demarque, Michel Guermonprez, Jacques Jouanny. Esta ultima favorece uma aproximação metódica, lógica e racional da terapêutica homeopática.

Hoje e amanhã

Atualmente, a evolução da homeopatia está estreitamente ligada aos progressos da investigação. Os esforços produzidos pela comunidade homeopática já não têm como único objetivo demonstrarem a atividade das altas diluições, tentam também descobrir os mecanismos de ação dos medicamentos homeopáticos; abrem, igualmente, o campo a uma farmacologia das altas diluições, área que nos reservará, podemos supô-lo, surpresas que ultrapassarão o enquadramento da homeopatia.

O outro polo de interesse dos médicos homeopatas é enriquecer e tomar fiável a matéria médica graças a uma verificação sistemática dos novos dados (clínicos, mas também biológicos) e uma correção dos elementos menos fiáveis. As matérias médicas mais recentes vão nesse sentido. A investigação clínica, auxiliada pela recolha de observações clinicas dos médicos homeopatas, contribui para isso.

Originally posted 2014-03-21 11:29:53.

Conheca a terapia floral2 - Detractores e Partidários Homeopatia

Detractores e Partidários Homeopatia

Os detractores

Apesar da lógica do seu procedimento, Hahnemann foi logo criticado. Assim, Trousseau, um dos seus contemporâneos, à priori “não acreditava naquilo” e afirmava que “a homeopatia tinha de ser julgada, nem que fosse só para nunca mais falar nela”.

Punha o êxito da homeopatia por conta da cura espontânea das doenças, e associava esta última, por um lado, à nova aproximação dos doentes pelos médicos homeopatas – observação, paciência, tempo – e, por outro, ao impacto desta última sobre a imaginação dos doentes. Já afirmava a ausência de reprodutibilidade dos efeitos e evidenciava o efeito placebo.

No entanto, reconhecia – o que lhe valeu ser criticado – que a homeopatia dava “uma ideia nova do medicamento, um método novo de constituir a Matéria médica, uma Terapêutica geral de certas relações afirmadas entre a natureza do medicamento e a da natureza”.

Auguste Bonnet, então presidente da Sociedade real de medicina de Bordéus, rejeitava os efeitos de doses tão pequenas, improbabilidade da doutrina, e pedia que fossem retomadas as experimentações sobre os sujeitos sãos. Para além disso, a Academia de medicina argumentava os riscos mortais daquela medicina nova e da sua vaidade científica.

Os mais objectivos, ao mesmo tempo que a rejeitavam, reconheciam que modificações químicas mínimas podiam gerar propriedades fundamentalmente diferentes, mas também se interessavam pela contribuição que a homeopatia podia trazer à medicina clássica através do seu procedimento racional.

Observavam o rigor do raciocínio diagnóstico e terapêutico, a tendência analítica que daí resultava, o cuidado concedido à preparação do medicamento e às circunstâncias que podiam modificá-lo.

O professor Mabit, uma sumidade da Escola de medicina de Bordéus, reconhece os êxitos da homeopatia na epidemia de cólera em 1832; o professor Jousset, medalha de ouro dos hospitais de paris, verifica a sua eficácia nas pneumonias.

Veio finalmente a pior das acusações – retomada ainda nos nossos dias para assimilar a homeopatia a uma seita – que consistia em assimilar a germanofobia da época à homeopatia: “A homeopatia não passa de uma pretensa reforma que, nascida como tantas outras no solo doentio da Alemanha, limita ao misticismo mais nebuloso e ao panteísmo mais material e apenas encobre uma dessas teses alemãs que só se baseiam na confusão.”

Para Olivier Faure – professor auxiliar de historia, responsável de investigação no Centro Nacional de Investigação Cientifica – se a homeopatia foi criticada desde a sua origem, foi mais por razões ideológicas do que cientificas. De facto, pensa que, “a homeopatia sofre principalmente por aparecer num momento em que a profissão médica se estrutura em corpo unificado capaz de falar com uma só voz e de impor o seu poder apesar das lacunas do seu saber.

É sobretudo porque ameaça este processo que a nova doutrina é combatida pela maior parte da corporação médica, mais preocupada com o seu prestígio social do que com a saúde dos seus doentes”.

 

Os partidários

Os partidários da homeopatia respondiam a estes argumentos que a sua terapêutica derivava da experimentação no homem são e das observações no homem doente, que a utilização de doses fracas resultava da experiência, que Hahnemann, o seu fundador, tinha-as utilizado para diminuir aquilo a que chamava e a que chamamos ainda “os efeitos secundários dos medicamentos”.

Na sua resposta escrita à Academia de medicina, os médicos homeopatas lembravam que antes do aparecimento desta terapêutica eram todos alopatas e que conheciam os seus perigos, que as — pretensas – experimentações efectuadas pelos seus colegas sobre a homeopatia eram feitas sem prática e na ignorância desta última.

Perguntavam qual era a parte da imaginação dos tratamentos homeopáticos nas crianças ou nos animais e reclamavam a abertura de um dispensário para poderem experimentar os medicamentos.

O próprio Hahnemann desejava vivamente que a homeopatia fosse experimentada e não rejeitada à priori. Clamava: “A homeopatia baseia-se unicamente nas experiências. Imitem-me, diz ela em voz alta, mas imitem bem, e verão a cada passo a confirmação daquilo que digo. […] A homeopatia pede-o com grandes gritos, quer ser julgada segundo os resultados.

Originally posted 2014-03-21 10:09:16.