Pergunta essencial para alguns, pelas respostas que poderia fornecer, pergunta supérflua para outros que a rejeitam á priori Seja como for, a homeopatia merece que nos detenhamos nela nem que seja só pelo respeito pelos pacientes, cuja admiração constante por esta terapêutica inata à reflexão.
Há mais de dois séculos que Christian Fhednch Samuel Hahnemann (1755-1843) instaurou os princípios da homeopatia, o debate raramente ultrapassou o estádio do irracional e do mito. Trousseau já reclamava que “a homeopatia tinha de ser julgada, nem que fosse sé para nunca mais falar nela, enquanto a Academia de medicina argumentava os riscos mortais daquela improvável medicina. Ainda hoje, alguns imaginam que o grande número de testes indispensáveis para provar um eventual efeito da homeopatia teria um custo fora de proporção com a sua utilidade. Do mesmo modo. os investigadores que se interessam por esta terapêutica são marginalizados pela comunidade cientifica Assim, devido às estruturas de pesquisa hospitalares dirigidas por médicos alopatas, a homeopatia nunca é suficientemente avaliada apesar dos esforços constantes dos médicos homeopatas.

caderno especial homeo opt - Nascimento da Homeopatia

Nascimento da Homeopatia

Em 1789. Hahnemann, no Tratado das doenças venéreas, retoma as teorias do brilhante escocês, Hunter, sobre a irritabilidade nervosa. Estas últimas explicam que uma substancia terapêutica actua – graças à sua força de estimulo próprio – opondo-se á irritação geral provocada pela doença. Do mesmo modo, o desencadeamento artificial de uma febre combateria a febre da doença natural e teria as mesmas virtudes curativas.

No seguimento de Iodo este encaminhamento, aparece claramente uma noção essencial no
seu espírito: a ideia de um tratamento através de estímulo do organismo graças a uma substancia
capaz de produzir uma doença artificial a fim de curar a doença natural. Já é o esboço do fundamento da homeopatia: o principio de similitude, que Hahnemann enunciará definitivamente, em 1790, por ocasião da tradução do livro da Matéria Médica de Culten (1710-1790), aluno de Whytt.

Nessas substâncias, salientava que a quina curava no doente as febres intermitentes porque ocasionava – em doses bastante fortes – uma febre semelhante no sujeito são. É o primeiro enunciado do princípio de similitude, que será redefinido no Organon, e constituirá a base teórica da homeopatia.

Aos quarenta e seis anos, em 1796, Hahnemann estabelece os actos fundadores da homeopatia no Ensaio sobra um novo principio para descobrir as virtudes curativas das substância medicinais, seguido por algumas exposições sumárias sobre os princípios admitidos aia aos nossos dias. Em 1810, aos cinquenta e cinco anos, é publicada a sua obra de referência, o Organon da medicina racional, que se intitulará nas edições ulteriores, o Organon da arte de curar.

Baseando-se nas crenças populares e depois de mais de vinte anos de estudo, em 1790, Jennor, aluno de Hunter, descobre o princípio da vacinação que, naquela época, não era mais do que a demonstração experimental da protecção da doença através da inoculação da doença.

Provavelmente, Hahnemann não o ignorava, porque este princípio já estava em voga há muitos anos. Todos os elementos estavam reunidos para a elaboração da terapêutica homeopática:

 

  • A toxicidade e a ineficácia dos medicamentos, a «coerência dos tratamentos, a ausência de linhas directivas lógicas;
  • As suas ideias sobre a higiene e a hidroterapia (Viena foi um dos primeiros centros de
    tratamentos termais) de onde sobressai a eventualidade de tratamentos acessíveis a
    todos e sobretudo aos pobres, ideia à qual, enquanto franco-mação, era especialmente
    sensível;
  • As teorias de Hunter, a noção de terreno e de constituição nervosa de Whytt. o vitalismo
    do qual Hahnemann se reclamará no final da sua vida;
  • A classificação de Boissier de Sauvages a qual retomara por ocasião da elaboração de
    uma outra obra de referência sobre as doenças crónicas:
  • A experimentação de substancias tóxicas por Storck;
  • As ideias do método contra-irritante e da vacinação: tratar o mal pelo mal;
  • As ideias hipocráticas que serão exprimidas mais tarde nas suas obras.

Originally posted 2014-03-21 09:24:27.

O Princípio de Similitude

O princípio de similitude

Hahnemann observou que as doenças ‘naturais’ apresentavam analogias com as
“doenças medicamentosas” provocadas por substâncias medicinais da sua época.

Adicionou-lhes a noção de similitude que consiste em dar ao doente como medicamento
uma substância susceptível de provocar num indivíduo são um: Semelhante(Homeo) = Sofrimento(Pathos).

Por isso, para que a Apis mellifica seja eficaz, é necessário que os sintomas sejam não só similares aos sintomas reproduzidos pela picada de abelha – é o princípio de similitude – mas também que a segunda parte da definição seja cumprida: é a noção de infinitesimalidade.

Originally posted 2014-03-20 12:19:49.

Hahnemann - Primeiro enunciado da similitude de Hahnemann

Primeiro enunciado da similitude de Hahnemann

Primeiro enunciado do princípio de similitude por Hahnemann

“Não é em virtude de uma opinião preconcebida nem por amor pela singularidade que me decidi em favor de doses tão fracas […]. Consegui-o depois de experiências e de observações Hahnemann.

 

“Através da combinação das substâncias mais amargas e mais adstringentes, podemos obter uma mistura que, em pequenas doses, possui qualidades muito maiores do que a casca, e no entanto nunca resultará de uma tal mistura um especifico da febre. [É uma questão á qual o autor deveria ter respondido.

Este principio faltando-nos ainda algo para explicar a acção da casca, não poderá ser encontrado muito facilmente], mas devemos reflectir no que se segue. As substâncias que provocam uma febre forte (o café muito forte, a pimenta, a arnica, a fava Santo Inácio, o arsénico) aniquilam os tipos de febres intermitentes.

Para experiência, tomei durante alguns dias, duas vezes por dia, de cada vez quatro dracmas de bom china; primeiro, os meus pés. a ponta dos meus dedos, etc. arrefeceram, sentia-me cansado e sonolento, depôs o meu coração começou a bater, o meu pulso tomou-se duro e rápido, uma ansiedade insuportável, tremores (mas não arrepios), um cansaço de lodos os membros: depois batidelas dentro da cabeça, uma vermelhidão na cara, sede, ou seja, todos os sintomas habituais que conheço da febre intermitente apareceram uns a seguir aos outros, sem, no entanto, sentir verdadeiros arrepios de febre.

Resumindo: os sintomas habituais principalmente característicos para mim por ocasião de febres intermitentes, o adormecimento dos sentidos, uma espécie de rijeza das articulações, mas também principalmente a sensação surda e desagradável que parece ter o seu centro no periósteo de todos os ossos do corpo – apareceram lodos.

Este paroxismo durava de duas a três horas de cada vez e recomeçava sempre que eu tomava a dose. senão não se passava nada Parei, e recuperei a saúde.

Originally posted 2014-03-21 09:42:35.

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A Origem da Homeopatia

A referência de Hahnemann o fundador da homeopatia foi o célebre médico grego Hipócrates. Hipócrates, filho de uma família aristocrática, contemporâneo de Sócrates e de Platão, era descendente de uma longa linhagem de médicos, detentora de um saber médico transmitido oralmente de pai para filho. Nascido em 460 a. C., Estabeleceu-se na ilha de Cos.

 

A sua originalidade e a sua notoriedade atravessaram os séculos porque foi o primeiro a abordar metodicamente a doença, recusando qualquer intervenção mágica, divina ou demoníaca. Numa época em que os médicos passavam pelas piores dificuldades para reconhecerem e para avaliarem a evolução das doenças, Hipócrates propôs-lhes abordar os problemas da doença com coerência e indicou-lhes um método rigoroso e racional de observação.

 

A sua reputação está principalmente ligada à sua prática médica e à sua pedagogia. A obra que iniciou, o Corpus hippocraticum, a Colecção hipocrática, influenciou o pensamento médico durante maia dos vinte séculos. Com umas sessenta obras, os autores, desembaraçando-se de qualquer pensamento religioso ou mágico, tentaram elaborar uma medicina racional que permitisse determinar a causa, a natureza e o prognóstico das doenças.

 

Para além disso, editaram as primeiras regras éticas da medicina, sob a forma do célebre juramento de Hipócrates, que todos os médicos ainda hoje fazem antes da obtenção do seu doutoramento. O pensamento de Hipócrates repousa sobre uma preocupação permanente de observação da doença, do doente a da tudo o que o rodeia, por tudo o que é possível experimentar através dos sentidos.

 

A sua obra aborda todas as áreas que dizem respeito a este sujeito. Assim, estuda o estado de saúdo, a doença, os estados intermédios, a fisiognomonia, o estado mental, e até mesmo a nosologia Toma em consideração os factores climáticos locais, a geografia do local, o modo alimentar, a dietética. Distingue especificamente as doenças das mulheres, reflecte sobre a prática médica da sua época e sobre a ética que daí resulta.

O pragmatismo de Hipócrates

  • O médico deve ter lido e aprendido, deve ter sido formado por mestres.
  • O médico deve conhecer o corpo humano, a sua anatomia, a sua fisiologia
  •  O interrogatório e o exame do doente são fundamentais.
  •  O tratamento deve ser adaptado a cada doente em função da sua doença, da sua
    idade, da sua constituição, do momento do ano e do clima.
  •  Conforme a natureza da doença, pode ser tratado pelos contrários {o quente pelo trio),
    ou por fenómenos similares (o quente pelo quente).
  • Condena os ignorantes que, ao pretenderem tratar, são mais perigosos do que eficazes; erige em princípio fundamental: “NÂO PREJUDICAR O DOENTE”.
  • O exame do doente, os conhecimentos e a experiência do médico são os únicos elementos que devem guiar a decisão deste último.

 

Ensina ao clínico a examinar o doente, a notar o que mudou em relação ao seu estado habitual,
a hierarquizar a sintomatologia, e prática, por preocupação de notoriedade, a arte divinatória, tentando predizer a evolução e o prognóstico da doença. Tudo isto é resumido de uma maneira muito clara no Livro I das Epidemias. “É necessário dizer os antecedentes da doença, conhecer o estado presente, predizer os acontecimentos futuros, exercer-se sobre estes objectos; ter, nos doentes, duas coisas em vista: ser útil ou pelo menos não prejudicar. A arte decompõe-se em três termos: a doença, o doente, o médico. 0 Médico é o cura (o servo) da arte; é necessário que o doente ajude o médico a combater a doença.

 

Esta notável capacidade de observação dos doentes e das doenças permitiu numa época em
que se ignorava quase tudo da anatomia, da fisiologia, a descoberta da epilepsia, da enxaqueca
oftálmica, da tuberculose vertebral, dos abcessos, do centro das perturbações paralíticas dos membros, etc., descobertas espantosas e excepcionais para a época Hipócrates ensina ao terapeuta que cada doente reage de uma maneira individual à doença.

 

É a razão pela qual a sua obra tem sido uma referência constante não só na Antiguidade, como também até ao final do século XVIII. Numerosos médicos célebres referiram-se a ela. Laennec, por exemplo, no momento da descoberta da auscultação, assinalava que, sob uma outra forma, esta última já era praticada pelos médicos hipocráticos.

Também foi a referência de Hahnemann o qual lhe rendeu muitas vezes homenagem nos seus escritos, para ele. “Nunca estivemos tão próximos de descobrir a arte de curar como na época de Hipócrates, […]” e “Nunca mais nenhum médico ultrapassou o seu talento para a observação pura”.

Originally posted 2014-03-20 15:22:07.

homeopatia1 - O Progresso da Homeopatia Parte II

O Progresso da Homeopatia Parte II

Em França – no século XIX

Em França, Sébastien Des Guidi – professor de matemáticas, doutor em ciências, doutor em medicina – introduziu a homeopatia em 1830. Formou-se em Nápoles, depois conheceu Hahnemann antes do seu regresso em França. Em 1836, publicou a sua “Carta aos médicos franceses sobre a homeopatia” que explicava e informava os seus colegas sobre a razão de ser da homeopatia. Curou Pierre Dufresne, que levou a homeopatia para a Suíça, e é o fundador em 1832 da primeira publicação periódica homeopática: a Biblioteca homeopática, editada em Londres e em Paris.

No mesmo ano, Pierre Dufresne reuniu a primeira sociedade homeopática, a Sociedade homeopática galicana. Sébastien Des Guidi curou a seguir Benoit Mure, o qual, por sua vez, deu a conhecer a homeopatia na Sicília, no Brasil e em outros Estados da América do Sul, em Portugal, na India, no Egipto, etc.
Em 1832. O professor Mabit, depois dos sucessos da homeopatia sobre a cólera no Hotel-Dieu, tornou-se um dos seus partidários. O desenvolvimento da homeopatia também se fez graças à abertura de consultas nos dispensários, e através da mudança de orientação de alguns médicos dos hospitais que passaram da alopatia para a homeopatia.

Em 1835, Hahnemann participou em Paris na reunião da Sociedade homeopática galicana favorecendo ainda mais o desenvolvimento da homeopatia em França Veio acompanhado por Jahr, foi rapidamente cercado por Petroz e por Léon Simon cuja energia também permitiu a difusão da homeopatia no nosso território.

As edições Baillière em França, apesar da oposição dos seus autores, contribuíram bastante para a difusão da homeopatia. Jahr publicou o seu Manual, colaborou com o farmacêutico Catellan na Nova farmacopeia e posologia homeopática que constituiu durante muitos anos, juntamente com o Códex dos medicamentos homeopáticos, a única obra de trabalho dos farmacêuticos.

Numerosos guias terapêuticos e publicações periódicas saíram nos anos 1850-1860 e, segundo Jourdan, Léon Simon traduziu para francês a quinta edição alemã do Organon, o livro principal de Hanhemann.

Léon Simon filho abriu a 9 de Abril de 1870 o hospital Hahnemann. Menos de um mês mais
tarde foi criada, no número 282 da rua Saint-Jacques, a “Casa Saint-Jacques”, que só foi verdadeiramente operacional depois do cerco de Paris. Em contrapartida, o hospital Hahnemann conheceu uma grande atividade durante a guerra com a Prússia Em 1875, o hospital Saint-Luc em Lião abriu as suas portas.

O primeiro curso estruturado da homeopatia começou, sob a direção de Pierre Jousset em Janeiro de 1887. Grandes nomes cobrem este final de século XIX e estão verdadeiramente na origem do estabelecimento sólido da homeopatia no nosso país: trata-se de Chargé e da sua obra sobre o Tratamento homeopático das doenças dos órgãos da respiração, do professor Imbert-Goubeyre, deão da faculdade de medicina de Clermont-Ferrand, do professor Mabit de Bordéus, do professor Andrieu e do professor Risueno-d’Amador que ensinavam a homeopatia na faculdade de Montpellier.

Tessier, e depois Jousset, dois médicos homeopatas com grande personalidade, prepararam a entrada da homeopatia no nosso século.

Originally posted 2014-03-21 11:15:42.