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A referência de Hahnemann o fundador da homeopatia foi o célebre médico grego Hipócrates. Hipócrates, filho de uma família aristocrática, contemporâneo de Sócrates e de Platão, era descendente de uma longa linhagem de médicos, detentora de um saber médico transmitido oralmente de pai para filho. Nascido em 460 a. C., Estabeleceu-se na ilha de Cos.

 

A sua originalidade e a sua notoriedade atravessaram os séculos porque foi o primeiro a abordar metodicamente a doença, recusando qualquer intervenção mágica, divina ou demoníaca. Numa época em que os médicos passavam pelas piores dificuldades para reconhecerem e para avaliarem a evolução das doenças, Hipócrates propôs-lhes abordar os problemas da doença com coerência e indicou-lhes um método rigoroso e racional de observação.

 

A sua reputação está principalmente ligada à sua prática médica e à sua pedagogia. A obra que iniciou, o Corpus hippocraticum, a Colecção hipocrática, influenciou o pensamento médico durante maia dos vinte séculos. Com umas sessenta obras, os autores, desembaraçando-se de qualquer pensamento religioso ou mágico, tentaram elaborar uma medicina racional que permitisse determinar a causa, a natureza e o prognóstico das doenças.

 

Para além disso, editaram as primeiras regras éticas da medicina, sob a forma do célebre juramento de Hipócrates, que todos os médicos ainda hoje fazem antes da obtenção do seu doutoramento. O pensamento de Hipócrates repousa sobre uma preocupação permanente de observação da doença, do doente a da tudo o que o rodeia, por tudo o que é possível experimentar através dos sentidos.

 

A sua obra aborda todas as áreas que dizem respeito a este sujeito. Assim, estuda o estado de saúdo, a doença, os estados intermédios, a fisiognomonia, o estado mental, e até mesmo a nosologia Toma em consideração os factores climáticos locais, a geografia do local, o modo alimentar, a dietética. Distingue especificamente as doenças das mulheres, reflecte sobre a prática médica da sua época e sobre a ética que daí resulta.

O pragmatismo de Hipócrates

  • O médico deve ter lido e aprendido, deve ter sido formado por mestres.
  • O médico deve conhecer o corpo humano, a sua anatomia, a sua fisiologia
  •  O interrogatório e o exame do doente são fundamentais.
  •  O tratamento deve ser adaptado a cada doente em função da sua doença, da sua
    idade, da sua constituição, do momento do ano e do clima.
  •  Conforme a natureza da doença, pode ser tratado pelos contrários {o quente pelo trio),
    ou por fenómenos similares (o quente pelo quente).
  • Condena os ignorantes que, ao pretenderem tratar, são mais perigosos do que eficazes; erige em princípio fundamental: “NÂO PREJUDICAR O DOENTE”.
  • O exame do doente, os conhecimentos e a experiência do médico são os únicos elementos que devem guiar a decisão deste último.

 

Ensina ao clínico a examinar o doente, a notar o que mudou em relação ao seu estado habitual,
a hierarquizar a sintomatologia, e prática, por preocupação de notoriedade, a arte divinatória, tentando predizer a evolução e o prognóstico da doença. Tudo isto é resumido de uma maneira muito clara no Livro I das Epidemias. “É necessário dizer os antecedentes da doença, conhecer o estado presente, predizer os acontecimentos futuros, exercer-se sobre estes objectos; ter, nos doentes, duas coisas em vista: ser útil ou pelo menos não prejudicar. A arte decompõe-se em três termos: a doença, o doente, o médico. 0 Médico é o cura (o servo) da arte; é necessário que o doente ajude o médico a combater a doença.

 

Esta notável capacidade de observação dos doentes e das doenças permitiu numa época em
que se ignorava quase tudo da anatomia, da fisiologia, a descoberta da epilepsia, da enxaqueca
oftálmica, da tuberculose vertebral, dos abcessos, do centro das perturbações paralíticas dos membros, etc., descobertas espantosas e excepcionais para a época Hipócrates ensina ao terapeuta que cada doente reage de uma maneira individual à doença.

 

É a razão pela qual a sua obra tem sido uma referência constante não só na Antiguidade, como também até ao final do século XVIII. Numerosos médicos célebres referiram-se a ela. Laennec, por exemplo, no momento da descoberta da auscultação, assinalava que, sob uma outra forma, esta última já era praticada pelos médicos hipocráticos.

Também foi a referência de Hahnemann o qual lhe rendeu muitas vezes homenagem nos seus escritos, para ele. “Nunca estivemos tão próximos de descobrir a arte de curar como na época de Hipócrates, […]” e “Nunca mais nenhum médico ultrapassou o seu talento para a observação pura”.

Originally posted 2014-03-20 15:22:07.

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