Hahnemann1 - As ideias medicas no século de Hahnemann

As ideias medicas no século de Hahnemann

Um século “charneira”

Até ao final do século XIX, a história da medicina, das ciências e da filosofia é comum. Hahnemann nasceu a meio do século das Luzes. É uma época “charneira” que marca a passagem da medicina de observação e do vitalismo – defendido por Stahl, Bordeu, Barthez, Dupuytren, Bichai – para o determinismo, fundamento da acção da medicina experimental, da qual Magendie foi o precursor, sendo depois o seu aluno Claude Bernard, o fundador.

 

No século XVIII, as ciências, cada vez mais baseadas na experimentação, escapam progressivamente à metafísica e fazem pouco a pouco com que a Igreja perca o seu poder. No entanto, o domínio desta última ainda está bastante presente, visto que as teorias mecanistas da época, que retiravam toda a natureza divina ao homem reduzindo-o a um objecto, são muito dificilmente admitidas.

 

No oposto, os animistas, dos quais Stahl era o chefe, pensavam que existia uma alma sensível que, sozinha, animava o corpo.

 

O vitalismo

Uma corrente, que constitui um meio-termo, é desenvolvida por Bordeu e Barthez da Escola de Montpellier: o vitalismo. Este último movimento sugeria que a vida não podia explicar-se nem através do animismo, que não tomava em consideração os fenómenos físicos e químicos, nem através do mecanismo puro, que fazia do homem uma máquina complexa. Bichat (1771-1802), porta-voz e apoio do vitalismo, pensava que a compreensão dos fenómenos vitais podia explorar-se, mas não podia explicar-se através da física e da química.

 

Do mesmo modo, os vitalistas não rejeitavam os conceitos médicos, mas acreditavam que os conhecimentos e as técnicas da sua época não lhes permitiam chegar lá.

As etapas marcantes da vida de Samuel Hahnemann

 

1750 – Casamento em segundas núpcias de Christian Gottfried Hahnemann, pintor de porcelana, e de Christiana Spiess.

1755 – Nascimento de Christian Friedrich Samuel Hahnemann a 10 de Abril em Meissen, na Saxónia, terceiro de uma fratria de quatro filhos.

1765 – Entrada para a escota principesca da Saint Afra, onde aprende numerosas línguas entre elas o inglês, o francês, o latim, o grego a o hebreu.

1775-1779 – Estudos da medicina em Leipzig. Tese de doutor em medicina Exame das
causas e do tratamento rui afecções espasmódicas. É iniciado em química por Leonhardi

1776 – Inicio da sua actividade de tradutor.

1777 – Estágio de seis meses na escola de medicina de Viena: ensino baseado na observação e o ensino clínico no leito do doente.

Tradução do Ensaio sobre hidrofobia da Nugent.
Entrou na franco-maçonaria.

1780 – Torna-se médico em Hettstedt onde exerce modestamente a medicina. Pratica a química em casa do seu futuro sogro, o farmacêutico Haeseler. Começa um trabalho importante de tradução e de numerosas publicações de química.

1782 – Casamento com a filha adoptiva de Haeseier, Henrtetie KueMet, com a qual terá onze filhos.

1784 – Publicação do Método para tratar cuidadosamente as feridas antigas e as úlceras
pútridas.

1786 – Publicação de Do envenenamento com arsénico, o seu tratamento e a sua demonstração em medicina legal.

1789 – Publicação da Instrução aos cirurgiões sobre as doenças venéreas, precedida por uma nova preparação de mercúrio.

1789 – Hahnemann renuncia a prática médica e vive das suas traduções e dos seus
trabalhos de química. Publica o Tratado das doenças venéreas.

1790 – Primeiro enunciado do princípio de similitude por ocasião da tradução da Mareia
medica de Cullen.

1791 – É distinguido pelos seus numerosos trabalhos de tradução e é eleito membro da
Academia das ciências do eleitorado de Mogúncia.

1792-1804 – Assaltado pelas preocupações muda-se quinze vezes em treze anos.

1796 – Nascimento oficial da homeopatia no Ensaio sobre um nove principio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicinais, seguido por algumas exposições sumárias sobre os princípios admitidos aia aos nossos dias.
A 14 de Maio: primeira vacinação antivariólica de Jenner.

1805 – Publicação de textos importantes da terapêutica homeopática.

  • Esculápio na balança;
  • Medicina da experiencia;
  • Fragmentos sobre os efeitos positivos dos medicamentos observados no homem são, que constitui a primeira matéria médica homeopática.

1810 – Publicação da primeira edição do Organon da medicina racional que instaura as bases da doutrina homeopática, que se intitulará a seguir o Organon da arte de curar, e passará por seis edições diferentes, entre as quais a última, póstuma, só seria editada em 1921.

1811-1821 – Instalação de Hahnemann em Leipzig, onde retomará com sucesso a sua prática médica.

Ensina a homeopática na faculdade de medicina de Leipzig e opõe-se à medicina da sua época.

Primeiva edição dos seis tomos da Matéria médica pura.

 

1814 – Adquire uma grande reputação graças aos seus sucessos obtidos na epidemia de tifo.

1821 – Deixa Leipzig a seguir a um processo com os farmacêuticos que o censuram por preparar sozinhos os seus medicamentos. Foi instalar-se em Kôthen.

1823-1827 – Segunda edição da Matéria médica pura reactualizada.

1828-1839 – Publicação das edições sobre As doenças crónicas, a sua natureza especial e o seu tratamento homeopático, nas quais Hahnemann explica as recidivas das doenças através dos miasmas.

1830 – Falecimento de sua mulher

1831 – Epidemia de cólera: resultados espectaculares da homeopatia, à qual os clássicos pedem ajuda.

1833 – Inauguração do primeiro hospital homeopático em Leipzig.
Difusão da homeopatia na Europa.

1835 – Novo casamento de Hahnemann aos setenta e nove anos com uma jovem francesa de trinta e quatro anos que tinha vindo consultá-lo, Mélanie d’Hervilly.
Viaja para Paris onde retoma a actividade médica.

1843 – A 2 de Julho, falecimento de Hahnemann aos oitenta e oito anos. Está sepultado
no cemitério do Père-Lachaise em Paris.

 

 

O vitalismo — do qual Hahnemann se reclamará — não põe em causa os fenómenos teológicos, mas recusa admitir que a vida só se reduza a esta única resposta. Concebe o ser vivo como sendo animado por uma consciência da vida. Esta percepção opõe-se à visão mecanista reducionista que sugere que a vida é o único resultado de uma soma de mecanismos.

 

O vitalismo coincide com a visão global do ser humano da Hahnemann. Corinne Coop-Phane, professor de epistemologia e de história da medicina, num artigo intitulado “Os médicos são vitalistas que se ignoram, conclui: “Os vitalistas mostraram como é que o Universo pouco a pouco foi conquistado e decifrado, com o devido respeito ao seu irredutível mistério.

 

Sem esta amplitude, este horizonte, não compreendemos a vida, mesmo se dedicarmos o nosso tempo a recortá-la. A escutá-la, a dividi-la em pedaços Nenhum científico do século XX ousa reclamar-se do vitalismo, visto que qualquer pensamento da matéria, principalmente do corpo humano, quando não cede ao reducionismo, está cheio de um vitalismo inconfessado.

 

”Mas: “Não poderíamos admitir nos seres vivos um principio vital livre, lutando contra a influência das condições físicas”, dizia Claude Bernard ao encontro das posições de Bichai. “Actualmente, não há muitos biologistas que recusem partilhar esta fé determinista, mesmo quando esta crença não é o suficiente para eles”. Vitalismo a determinismo ou mecanismo contribuíram sempre para aprofundar a questão da vida, mas esta ultima e muito diferente actualmente.

Originally posted 2014-03-20 16:30:56.

Vitaminas - A Vitominoterapia

A Vitominoterapia

As vitaminas não são medicamentos. São substâncias que o homem não pode fabricar em quantidade suficiente e que devem ser fornecidas pela alimentação.

O estudo das vitaminas esta em pleno desenvolvimento atualmente. Verificamos o interesse de algumas de entre elas em períodos especiais da vida, no recém-nascido. Na criança, na mulher gravida, nas pessoas de idade. Foram feitos estudos que observaram – mas ainda não está provado – a frequência de algumas doenças em sujeitos carenciados, tais como as doenças cardiovasculares as cataratas, as doenças reumatismais, as malformações congénitas, os cancros, as cataratas, as infeções,

“Quais são os Inconvenientes da vitaminoterapia?”

Infelizmente, as vitaminas tem tendência para serem banalizadas desde que a maioria deixou da ser reembolsada pela Segurança Social e são vendidas livremente sob a forma de complexos.

Os riscos de abuso, até mesmo de intoxicação em caso de ingestão exagerada são portanto reais, Assim, a vitamina A, ingerida excessivamente no trimestre de gravidez, corre o risco de provocar no feto malformações dos ouvidos, do rosto e do sistema nervoso. Estes acidentes acontecem com dosas que nem chegam a ser superiores a cinco vezes os fornecimentos quotidianos recomendados. A vitamina D, tomada de uma maneira prolongada em doses elevadas, provoca perturbações digestivas e sobretudo renais.

Se a intoxicação continuar corre o risco de provocar depósitos de sais de cálcio nos rins, nas artérias, no coração e nos pulmões. A vitamina B6, nas mesmas condições de administração e em doses muito elevadas, vulgarmente utilizadas nos Estados Unidos, provoca polinevrites (degenerescência dos nervos).

Originally posted 2014-03-21 13:05:24.

cabeçalho - O exame médico das doenças agudas

O exame médico das doenças agudas

É próximo do precedente, mas, claro, mais orientado para a doença a que diz respeito. Neste tipo de consulta, o doente procura um alivio rápido que a terapêutica homeopática pode proporcionar-lhe. As investigações são sumárias mas precisas conduzidas habilmente, encurtam nitidamente a consulta.

O exame médico repete, se necessário, as mesmas etapas que para o estudo do doente crónico. O seu objetivo é idêntico: a confirmação do diagnóstico da doença e da escolha do medicamento. A procura deste último, embora mais rápida, necessita pelo menos de um bom conhecimento da homeopatia, porque o fracasso é flagrante se o tratamento for errado.

A consulta é mais curta, porque os sinais são mais marcados, mais recentes e mais facilmente reconhecidos pelo médico e pelo doente.

Exemplo de um tratamento de crise num sujeito que sofre de rinite alérgica ou “febre-dos-fenos”

Doutor Renaud Bornymche
18, Boulevard de Paris 27 de Dezembro de 1877,
93600 Aulnay-sous-Bois Raphael C.

Tomar cinco vezes por dia durante dois dias, depois três vezes por dia durante seis dias;

Allium cepa 5CH; 2 grânulos
Sanguinária 5CH; 2 grânulos
Nux vomica 5CH; 2 grânulos

Como compreender esta receita: Allium cepa, Sanguinária e Nux vomica são medicamentos das crises de febre-dos-fenos nas quais os espirros são intensos, e a irritação nasal importante.

A estes sintomas acrescentam-se para:

  •  Allium cepa, uma lacrimação doce, e uma agravação das crises com o calor ou quando entramos numa sala quente, e com as correntes de ar.
  • Sanguinária. uma hipersensibilidade aos odores e às flores; Nux vomica, um nariz seco e entupido durante a noite.

Um tratamento de fundo será iniciado em concomitância para evitar que as crises reapareçam durante este período polínico por exemplo.

Originally posted 2014-03-26 10:16:15.

medicina - A formação dos médicos

A formação dos médicos

Em França, a homeopatia só pode ser exercida por doutores em medicina. Os médicos homeopatas, generalistas ou especialistas, seguem portanto o mesmo curso universitário que os seus colegas alopatas, ao qual é acrescentada uma formação em homeopatia de três anos suplementares. Um individuo não médico que pratique a homeopatia será perseguido por exercício ilegal de medicina.

No princípio do século, o ensino fazia-se principalmente de professor para aluno, depois estruturou-se com a criação, a partir de 1952, de escolas privadas. Em 1977, a faculdade de medicina de Besançon, sob a influência do Professor Grandmottet e do Dr. Belot, criou o primeiro diploma universitário de terapêutica homeopática.

Contrariamente aos diplomas de especialidades, os diplomas universitários não conferem um titulo. Qualquer médico, tendo ou não uma formação, pode por isso mesmo pretender-se homeopata. A partir de 1974, o Conselho nacional da ordem dos médicos autorizou a menção “Orientação homeopática” aos médicos que lhe fazem o pedido, sob reserva de informar o Conselho departamental da ordem dos médicos e de ter recebido uma formação apropriada.

As regras dos médicos homeopatas franceses:

1 A prática da homeopatia é efetuada por um médico homeopata.

2. O médico homeopata exerce a mediana após a obtenção do diploma de doutor em medicina, que confirma os seus estudos, feitos na faculdade.

3. Para além dos seus estudos, o médico homeopata é obrigado a seguir um ciclo de três anos de estudos especializados em homeopatia. Qualquer paciente tem o direito de exigir ao seu médico homeopata um diploma de fim de estudos.

4. A consulta do médico homeopata comporta uma conversa com o paciente, um exame geral, um diagnostico médico, depois uma investigação precisa das reações pessoais próprias ao doente.

5. Apenas o médico homeopata está habilitado a avaliar a terapia homeopática a aplicar, ou, se o caso o exigir, uma prescrição alopática.

6. O médico homeopata pode ser obrigado a pedir análises clínicas, uma consulta a um colega especialista, uma hospitalização…

7 Os medicamentos homeopáticos são fabricados por laboratórios farmacêuticos especializados, conforme normas muito estritas, fixadas pelo Ministério da Saúde.

8. Os medicamentos homeopáticos são vendidos nas farmácias, sob a responsabilidade do farmacêutico.

9. Os medicamentos homeopáticos são reembolsados pela Segurança Social.

10. O Sindicato nacional dos módicos homeopatas franceses reserva-se o direito de denunciar quaisquer práticas, quaisquer formas de vulgarização, de informação e de publicidade da homeopatia que possam constituir um atentado à saúde individual ou colectiva.

Originally posted 2014-03-24 16:14:34.

medicomenu - O custo de uma receita

O custo de uma receita

O custo de uma receita

Segundo o ultimo estudo realizado pela Caixa Nacional de Segurança Social em 1983, o custo médio de uma receita, ou seja, o montante ao encargo do paciente (consulta mais medicamento não reembolsado pela Segurança Social), era de 44,83 francos ou seja, 2,9 vezes menos do que o custo médio de uma receita alopática (130,37 francos).

A notar que o custo da receita homeopática é certamente inferior ao custo indicado, porque as estatísticas foram feitas sobre receitas que associavam especialidades homeopáticas e alopáticas.

Ora, estas últimas englobam 77.8% dos casos, apenas 22.2 % das receitas são exclusivamente homeopáticas. Para atem doso, este estudo não toma em consideração as preparações magistrais e os medicamentos homeopáticos não reembolsados.

Em 1993, o montante médio das despesas farmacêuticas por ato prescritor para os médicos com exercício particular – representados maioritariamente pelos médicos homeopatas – era de 147,8 francos ao passo que o custo para um médico generalista era de 259,6 francos.

A parte dos medicamentos homeopáticos representa 0.17% das despesas da Segurança Social em doenças e 1,2% dos reembolsos de farmácia.

Quais doenças?

As doença para as quais se recorre mais à homeopatia são:

  • As doenças do aparelho respiratório (18,6% contra 17,1% para a alopatia).
  • As perturbações mentais (15,3% contra 9,9% para a alopatia).
  • As doenças reumatismais (7,1% contra 8,4%).

Os pediatras e os dermatologistas são aqueles que, por entres os especialistas, utilizam mais a homeopatia.

Originally posted 2014-03-24 15:57:10.