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A noção de terreno é antiga, visto que Hipócrates já desconfiava de uma predisposição congénita para a tuberculose e descrevia uma constituição e tipos físicos especiais. A originalidade de Hahnemann é ter, para além disso, incluído este procedimento na sua terapêutica, a partir da observação dos doentes.

O que é o terreno?

O terreno define-se classicamente como o “estado de um organismo, quanto à sua resistência
aos agentes patogênicos ou à sua predisposição para diversas afeções”. Tal como a homeopatia, a mediana clássica aborda esta representação do indivíduo sobre o terreno genético e dos acontecimentos.

Já é reconhecido que numerosas situações patológicas resultam do encontro destes dois fatores. Sendo a parte de um e de outro variável, muitas vezes a agressão do agente ambiental é tal que a predisposição genética pouca importância tem. Por vezes, os elementos ambientais tornam-se verdadeiros agentes desencadeantes sobre um terreno predisposto, ou ao contrário, os fatores genéticos vão exprimir-se sejam quais forem as condições de vida.

Portanto, o individuo possui disposições gerais latentes, hereditárias ou adquiridas, que constituem a base de um potencial de defesa. Exprimem-se através de um modo reacional geral (MRG), ou seja, através de uma maneira especial de reagir do organismo que aparece espontaneamente ou a seguir a agressões diversas, chamadas “fatores etiológicos” ou “circunstanciais”. Estas disposições, antigamente chamadas “diáteses”. Compreendem:

  • uma parte inata, interna, imutável, ligada aos genes, e específica a cada indivíduo;
  • uma parte adquirida, externa, modificável, devida aos fatores ambientais, que o transforma mais ou menos forte e prolongadamente. A influência destes fatores sobre o organismo varia em função do terreno genético, tal como acabámos de o abordar sucintamente.

Apesar do formidável desenvolvimento da genética nestes últimos anos, a observação clínica e/ou biológica não permite distinguir estas duas partes.

Os terrenos, cuja expressão são os modos reacionais gerais, são também meios de classificai os medicamentos homeopáticos em grandes quadros, a fim de facilitar a prescrição.

Parece-nos, no estado atual dos nossos conhecimentos, ilusório, perigoso, até mesmo ridículo tentar procurar uma etiologia – ou seja, uma causa – comum a cada modo reacional. Estes conceitos do terreno mantêm-se “quadros de espera”, cuja origem, presumivelmente multifactorial, será talvez descoberta graças aos progressos da imunologia e da genética.

O modo reacional é provavelmente a resultante de fatores genéticos e ambientais, cujo impacto sobre o organismo continua desconhecido. Para esclarecer melhor a continuação desta exposição, vamos utilizar indiferentemente os termos de diátese e de modos reacionais gerais.

Progressivamente, os médicos homeopatas distinguiram quatro grandes grupos reacionais
gerais comuns. Traduzem as faculdades de defesa e de reação do organismo – adquiridas ou
inatas – em agressões variadas. Estes terrenos não são “doenças homeopáticas’, mas, sim, quadros patológicos nos quais o paciente tem mais “probabilidades” de evoluir.

Estes dados, que correspondem a uma visão sintética da vida do doente, são puramente empíricos, e baseiam-se unicamente na sua observação e na experiência clínica do médico. O conhecimento destes grupos permite seguir, até mesmo antecipar, o desenvolvimento das patologias (doenças), embora não tenham etiologias conhecidas ou comuns, porque são baseados antes de mais na observação dos doentes.

Podemos compará-los às vias de caminho-de-ferro cuja origem é desconhecida (a partida é o conceito), o destino semelhante, as estações são as doenças previsíveis, e as manobras das agulhas são possibilidades de evolução do doente para um outro terreno e/ou uma outra doença.

Estas similitudes de reações de defesa de uma categoria de sujeitos não excluem uma capa-
cidade de resposta individual, talvez ligada a uma predisposição genética ou a um ambiente especial, intuitivamente chamado “ponto fraco”. Na maioria das vezes, “colam” com os relatos dos doentes que encontramos em medicina geral, e correspondem à tendência geral de reação destes últimos face à doença ou a um acontecimento desencadeador.

Um doente entra raramente num só modo reacional geral, está muitas vezes encavalitado em vários destes modos. Da mesma forma, alguns medicamentos homeopáticos entram em diferentes diáteses.

As apelações originais destes terrenos são obsoletas, mas persistem devido ao facto a sua antiguidade; distinguimos a psora, a sicose, o tuberculismo, o luetismo.

Originally posted 2014-03-25 11:35:54.

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